sexta-feira, 8 de maio de 2009

Diferente de ti.





Tu chupas a manga ou a corta em pedaços?
Geralmente cortamos em pedaços quando estamos crentes que chupamos.
Que isso? Tô falando do que é diferente de ti, de mim, de todo mundo e que a gente custa aceitar. De um outro tipo de diversidade. Não daquela que defendemos com cores (arco-íris, preto, pardo -????-, amarelo). Na diversidade sexual, étnica e religiosa já estamos aprendendo a pensar. Estou falando na diversidade de ideias mesmo. Do sujeito ao lado dizendo que pensa diferente de ti sem que tu ou ele tentes convencer um ao outro da genialidade de seus argumentos.
Tu consegues? Eu não. Pra mim é um exercício ouvir opiniões diferentes da minha sem querer expor meu ponto de vista de tal forma que a outra pessoa reconheça nele o irrecusável convite à concordância.
É como uma luta de boxe: depende da tua capacidade de resistir aos golpes aplicados. Os resultados são sempre os mesmos: ganha um ou outro lado, empata (e compõem um terceiro argumento fruto da mistura de ambos – o que não deixa de ter gosto de pequena vitória), ou um deles não comparece (tu queres convencer, mas a pessoa fica te olhando com cara de peixe e dizendo: ‘ahã, ahã’).
Acho mesmo que só concordamos com tudo quando estamos apaixonados pela interlocutora, aí é aquela reação típica do encantamento: diante da maior merda dita, a imagem do “que fofo o que ela disse, boba mesmo”.
Então não adianta propagar que tu aceitas tudo o que é diferente, porque aceitar raciocínios diferentes exige certa adaptação, outra reflexão para ser aceito. E ainda bem que isso acontece porque estamos carecas de saber que a unanimidade é burra.
E assim, enquanto conhecem os diferentes argumentos que existem por aí, as pessoas se apaixonam uma pelas outras e pelas ideias das outras. E desapaixonam, discordando. E não suportam o texto de várias. Mas continuam assim, se conhecendo, se relacionando e enxergando o que é diferente de si.

2 comentários:

  1. Só vemos o que é igual a nós. Ok, não igual ao que somos, mas igual ao que ou somos, ou sonhamos ser, ou temos medo de nos tornarmos ou de termos sido.

    "Fulano é legal... ele é como eu..."

    "Fulano é legal, ele é como eu gostaria de ser..."

    "Fulano é ridículo... - cá entre nós... ele é como eu tenho medo de me tornar... ou como eu tenho vergonha de ter sido ou parecido naquela vez que..."

    Tenho uma grande coleção de fracassos retumbantes e sucessos relativos (que geraram responsabilidades ou expectativas nunca integralmente cumpridas). Mesmo assim, ou por isso mesmo, sou muito arrogante e isso certamente é um problema maior para mim do que para quem acaba me odiando por isso. Meu truque é, ao passar por um mendigo, aleijado, gordão, velha ridiculamente repuxada ou pintada, velho ridiculamente empertigado ou garotão ridiculamente bombado... meu protocolo de controle constante de arrogância consiste em dizer bem fundo, conforme o caso, "poderia ser eu..." (para mulheres ou jovens) ou "poderei ser eu" (para mendigos, aleijados, idosos fracassados ou ridículos).

    É uma versão mais quotidiana do Tertuliano, aquele do "nihil humanum a me alienum puto", que para os muito inferiores a mim traduzo como "nada humano me tira o puto", para os apenas medianamente inferiores recomendo procurar no google e para meus iguais não preciso traduzir nem recomendar nada, pois já sabem do que se trata ou sabem como se virar.

    ...É, pelo parágrafo anterior fica evidente que está novamente na minha hora de encontrar um mendigo e lembrar que poderei ficar como ele...

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  2. Meu professor de Filosofia do Direito, Wambert Di Lorenzo, vivia mencionando em uma tradução livre que "nada do que é humano me surpreende". Mas acho que algumas coisas fugiam desta lógica.

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