domingo, 10 de maio de 2009

Pra dizer a verdade...

...a pessoinha aí é esquisita, feinha mesmo! Mas ficaria melhor achar a beleza da comédia na figura e pensar que este foi um momento ruim em muitos looks mais favoráveis. É um bebê! Filhotes são sempre fofos.
Verdade é algo que, por definição, já é confuso. Afinal, qualquer coisa pode estar de acordo com o real, dependendo do número de pessoas que atestam esta realidade.
Então, prefiro zilhões de vezes quem me diz que é sincero a quem me diz que é verdadeiro. Quem é sincero age sem a intenção de enganar e quem atesta a verdade quer demonstrar que a sua percepção de realidade é a que deve ser admitida. Acho um barato quando as pessoas dizem “mas eu estou sendo verdadeiro, estou sendo eu”. Oras, ainda que tu mintas, tu estás sendo verdadeiro e tu mesmo. Só que és tu mentindo. Tu mentindo, existe, é real, é, pois, uma verdade, ainda que talvez não seja a imagem que tu queira passar. O engraçado disto tudo é que tentar demonstrar que tu só fala a verdade é a mais absurda mentira que alguém pode pretender aplicar.
Seja, pois, sincero. Porque mesmo que tua opinião não corresponda ao senso comum de realidade, ela é tua. Não que seja mais fácil. Ser sincero requer uma personalidade fortíssima e um desapego genuíno da opinião alheia.
E aí? A pessoinha é esquisita ou não?

2 comentários:

  1. Bom... para começar, "pessoinha" é a Sra., Doutora Scherer! sua nanica veada!

    Isso me lembrou de um comentário muito prosaico e profundo de um cara muito amaldiçoado entre os psicanalistas lacanianos, o Jacques-Alain Miller, genro e "editor" dos famosos (para quem?) seminários de Lacan. Ele em algum momento, acho que numa entrevista numa revista de seus "seguidores" (como diriam os detratores dele e desses) cá no Brasil, às vésperas da fundação da Escola Brasileira de Psicanálise...

    ...Bom, abandonei o parágrafo acima porque estava muito longo e já me enchia. Mas o tal, enfim, comentou que quando alguém nos alerta que nos vai dizer umas verdades... é porque nos vai é insultar, hehe.

    Mas, perguntou eu: a verdade é algo que insulta? Ou: insultos são mais verdadeiros do que elogios?

    Há um bordão clássico segundo o qual "Ἐν οἴνῳ ἀλήθεια"... Ok, para facilitar: "in vino veritas". Se és bronco como eu já fui há uns 20 anos, quando não havia o google... recorta e cola lá no google, mangolão mimado...

    Tem uma versão que continua assim: na água a sanidade. Hoje diríamos "no café..." Alguns recomendariam cocaína, mas aí pode rolar uma nóia...

    Seja como for, certas verdades parecem mais verdadeiras pelo contraste com a usual eufemística. Mas podem ser igualmente falsas pelo exagero. Fulano é maravilhoso ou é um crápula? Nem tanto ao céu nem tanto ao inferno, atualizo eu. Aqui, nesse meio termo espaço-temporal entre o pó e novamente o pó temos pequenas verdades quotidanas... Pequenas conquistas e fracassos entre a concepção e o inevitável aborto.

    A grande verdade é que o mundo não nos quer, não nos deseja etc. O bom disso é que ele também não nos odeia, apenas é indiferente a nós como, aliás, a si mesmo. Querer, gostar, deixar de querer ou gostar... essa encrenca é nossa e de cada um.

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  2. Então... voltamos ao ponto. A verdade não poderia insultar se fosse algo que correspondesse à minha percepção da realidade. Nanica veada dito por ti, por exemplo, me faz rolar de rir por dois motivos: primeiro porque corresponde à minha percepção de realidade (sou de fato); segundo, porque te imagino dizendo (e as lembranças são sempre hilárias por si só - acostumei a gostar e recordo disso agora).
    Quanto ao "in vino veritas", é só uma generalidade... não que me aprofunde pra descobrir que é a verdade mesmo que ali reside, mas certamente, a desinibição... in vino, in ceva, in cachaça, in no que tiver pra oferecer! Nos tira o filtro social.
    Voltamos para o equilíbrio.. não tão equilibrado assim porque já conto com o vino generalizado, mas pensar que o mundo não espera nada de mais de mim é até confortável. Me faz deixar algumas coisas para serem feitas amanhã.

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