terça-feira, 21 de setembro de 2010

A casa fica bem melhor assim...


E eu gritava acompanhando Paralamas:

"Eu hoje joguei tanta coisa fora
Vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim!"

Então... arrumando a cabeça, as ideias em profusão, estabelecendo uma certa ordem necessária dentro das prioridades que nem devem ser várias. E retomando o blog, abandonado no mar de centenas de coisas que faço ao mesmo tempo.

Apareço, agora, com mais frequência.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Errar com convicção



Não é uma novidade, afinal a publicação é de 2002. Mas em Reparação, Ian McEwan consegue mostrar lindamente como são frágeis nossas convicções. Uma mesma história sob a ótica de diferentes personagens demonstra a razão de cada um deles. E como questionar seus motivos?

Uma vez, ainda na faculdade, um professor dificílimo ((alguns diziam que esperariam ele morrer pra fazer aquela cadeira)) me deu uma ótima nota por uma prova onde as respostas não estavam rigorosamente corretas. Fiquei super lisonjeada com a nota e com o fato de estar entre os raros que passaram direto na cadeira, mas não sabia o motivo de tanta nota para meios acertos. O professor explicou em aula - daquele jeito dele que somente dizia sem jamais elogiar.

Ele falou que prezava o erro com convicção, que importava ver a construção do argumento de tal resposta e o convencimento deste. Mesmo que ele soubesse que haveria outra interpretação mais adequada, a força de um argumento bem construído era por ele valorado.

Muito bem. McEwan, com seu texto, me remeteu a este episódio e me fez pensar que de nada vale o argumento ser convicto se não carregar consigo, também, flexibilidade. Errar com convicção pode parecer louvável, até poético. Mas hoje em dia, penso que posso me tornar melhorar avaliando a flexibilidade dos meus motivos e como eles sobrevivem ante a convicção dos motivos alheios.

Fica a dica do livro, que é meio travado de início, mas fica ótimo logo em seguida. E, para aqueles que tem preguiça de ler ou são ansiosos e preferem matar a charada em apenas duas horas, tem o filme: Desejo e Reparação, com direção de Joe Wrigth, é a adaptação da obra.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Hoje sou eu





Ontem escrevi sobre o Miguel Torga. Hoje não vou fazer todo aquele carnaval de indicar porque é feio ficar se auto-indicando. Mas o texto aí abaixo é meu. Ao contrário de ontem, não adianta procurar sobre mim no Google porque o máximo que irão conseguir é voltar pra este blog. É só ler mesmo e acabou.


Pra saber de mim
Faça longas caminhadas
Escute músicas novas
que falem de coisas passadas
e da curiosidade do que vem.

Comemore a dois
o que quiser gritar pro mundo.
Pra saber de mim
seja reservado, decidido, profundo
Mas seja eu antes, o resto... depois.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

E agora, tudo de novo...

Hoje eu tava fuçando por aí e encontrei um escritor português que nunca tinha lido: Miguel Torga. O nome dele mesmo é Adolfo Correia Rocha, o outro é pseudônimo. Nunca entendi direito esta coisa de trocar nome... acho Adolfo Correia Rocha bem vendável. Bom, mas a questão não é o nome e sim o que ele escreve. Gostei, recomendo. Encontrei-o com palavras que me tocaram nesta época do ano em que renovamos quase tudo: sonhos, esperanças, modus operandi. Vou reproduzir as palavras e depois vocês procuram aí no Google algo sobre o cara. Vale a pena.


Disse o Miguel:


"Recomeça...

Se puderes, sem angústia e sem pressa

E os passos que deres

Nesse caminho duro do futuro,

Dá-os em liberdade

Enquanto não alcances, não descanses

De nenhum fruto queiras só a metade."


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Porque tudo acaba em Neruda



Então... quando a Paula viaja fico melosa, nostálgica, passo fome (porque a preguiça é maior que a fome), bebo mais do que deveria, durmo tarde e tenho ataques de hiperatividade. Hoje, ainda nos dois primeiros sintomas, acabei recorrendo ao Neruda. Primeiro porque, assim como ter nossa música, foi nosso poeta de início ((muito mais meu do que dela que nem é muito chegada a esse tipo literário)). Mas, em segundo lugar, e provavelmente a razão mais forte, porque penso que não houve poeta que falou mais no amor. Neruda fala tanto que ama, que amou, que amava, que amará e o quanto este sentimento é importante e forte que cabe, facilmente, em qualquer declaração de amor. Neruda é, pois, um poeta ideal para início de relacionamento. Descubra-o no início, usufrua durante e use-o, descaradamente, toda vez que quiser declarar teu amor. Assim, desse jeito:

((Teca))


"É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada.
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que eu preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nossos lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro."

Pablo Neruda



Ter opinião é tudo!


Seu Jorge é o cara! Até aí morreu Neves... Mas resolveu juntar com o Selton... e a coisa ficou melhor ainda.

Vai lá e confere:http://www.youtube.com/watch?v=Fknp2aDXQyU
Deixa de ser preguiçoso (a)... já que vai no youtube, olha outras coisas do cara. É o que há de bom!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O desrespeito à dica da proporção

Seja lá que crença você tenha e que explicação adote para a Criação, não ignore a dica da proporção! É inegável que nosso corpo é uma máquina perfeita, cheia de engenhosos mecanismos e elaboradíssimos sistemas de comunicação, trabalho em equipe e sentido de organização. Tudo em nosso organismo tem uma razão de ser, é só prestar bem atenção para entender o porquê das coisas que ali estão.
Bom, quero dizer que mesmo diante de tanta evidência de que tudo foi feito na medida, muita gente - e eu inclusive - ignora a importância de ver e ouvir antes de falar. O que levou a Ana Carolina a dizer que "compensando a anatomia, o povo fala sem ter dó, são dois olhos, dois ouvidos, mas a boca é uma só" e o que me leva a transcrever uma historinha muito da bonitinha que tirei do Orkut de uma amiga e que dá um tapa de luva na gente quando soltamos a matraca a falar de proezas ou, nos serve de estímulo quando queremos nos recolher e fazer mais do que dizer o que se fez. É assim:
"Carroça vazia
Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.
Ele sentou numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:
-Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo o barulho de carroça...
- Isso mesmo, é uma carroça vazia.
- Como pode saber se a carroça está vazia se ainda não a vimos?
- Ora, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que ela faz.
Tornei-me adulto e, até hoje, quando ouço uma pessoa falando demais, gritando demais, tratando o próximo com grosseria, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz de meu pai dizendo: Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."