quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O desrespeito à dica da proporção

Seja lá que crença você tenha e que explicação adote para a Criação, não ignore a dica da proporção! É inegável que nosso corpo é uma máquina perfeita, cheia de engenhosos mecanismos e elaboradíssimos sistemas de comunicação, trabalho em equipe e sentido de organização. Tudo em nosso organismo tem uma razão de ser, é só prestar bem atenção para entender o porquê das coisas que ali estão.
Bom, quero dizer que mesmo diante de tanta evidência de que tudo foi feito na medida, muita gente - e eu inclusive - ignora a importância de ver e ouvir antes de falar. O que levou a Ana Carolina a dizer que "compensando a anatomia, o povo fala sem ter dó, são dois olhos, dois ouvidos, mas a boca é uma só" e o que me leva a transcrever uma historinha muito da bonitinha que tirei do Orkut de uma amiga e que dá um tapa de luva na gente quando soltamos a matraca a falar de proezas ou, nos serve de estímulo quando queremos nos recolher e fazer mais do que dizer o que se fez. É assim:
"Carroça vazia
Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.
Ele sentou numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:
-Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:
- Estou ouvindo o barulho de carroça...
- Isso mesmo, é uma carroça vazia.
- Como pode saber se a carroça está vazia se ainda não a vimos?
- Ora, é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que ela faz.
Tornei-me adulto e, até hoje, quando ouço uma pessoa falando demais, gritando demais, tratando o próximo com grosseria, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz de meu pai dizendo: Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A vida numa folha de papel


Minhas fases são determinadas pela dinâmica que estabeleço com as folhas e os textos. Existe a fase de escrever, a de ler e a que não faço bosta nenhuma - que é aquela que indica que minha vida está uma bagunça.
Pela data das postagens eu poderia estar na última fase.Não seria nenhum espanto: eu sou a desorganizada mais fake que existe. Para os outros, muito produtiva. Para mim, nem tanto. Pode ser que isto nem seja tão falso assim e talvez eu seja apenas uma vítima das minhas altas expectativas. Considerando a média, eu posso até produzir mais que os outros. Mas não é consolo para minha auto-tirania.
Anyway, o fato é que estava mais para a segunda fase - e isto me consola. Li muito neste último mês e reorganizei minha cabeça através dos personagens que conheci e das situações que visitei. É estimulante - até demais pra mim. Minha cabeça não cessa nunca e as ideias brotam na velocidade da luz. Minhas ações não chegam nem perto da velocidade do jabuti, se fizer uma comparação grotesca. Aí eu tenho que selecionar o que vai caber nas ínfimas 12 horas aproveitáves do meu dia. E esta é a parte mais difícil.
Então, de vez em quando, minhas ausências aqui se justificarão pela minha presença em outra foha de papel, em outro texto, em outros personagens e novos cenários. Vou organizar o roteiro de uma história que não cabe numa folha. Por puro prazer de poder escrever diferente. Aí, depois, eu venho e conto tudo. Por puro prazer de poder dizer diferente.
Até mais.