terça-feira, 12 de maio de 2009

A Drosophila melanogaster é gay????

“Segundo a revista Nature, os investigadores encontraram uma relação entre os transportadores químicos do cérebro e a orientação sexual. No caso específico das moscas da fruta, Drosophila melanogaster, eles verificaram que o aumento ou diminuição de um marcador químico era capaz de causar alterações no seu comportamento sexual. Segundo a curta descrição, isto abre portas à possibilidade de se alterar o comportamento sexual por via farmacológica, o que sem dúvida é mais um desafio ético que nos convida à reflexão.” (texto retirado do site pensamentocritico.com, publicado em 22/4/2008)

Well, ela é colorida – gay! Ela tem um nome feminino – sapata! Ela é a mosca da fruta – veado! Mas ela é uma mosca. Não entendo lhufas de reações químicas cerebrais, mas especulo sobre a necessidade de controle que as pessoas desenvolvem sobre o desejo/amor alheio.
Partindo da premissa que as pessoas refletem seus próprios medos nas expectativas e rejeições que desenvolvem em relação a outras pessoas, aquele que jamais foi capaz de sentir-se confortável com o relacionamento entre gêneros iguais, certamente comprará a “pílula da Drosophila” e colocará no suco de seu filho que anda alongando as sílabas finais das palavras. A filha não apresenta namorado e vive grudada naquela amiga? “Drosophila” nela! Sem problemas novos, sem estranhamentos, sem convivência com o que difere de sua ideia de como a vida deve ser.
É isso aí! Vamos descobrir como controlar o comportamento diferente e depois, vamos descobrir como controlar a necessidade de controle, e depois, vamos lutar para poder sermos como quisermos, e depois, vamos estranhar outras coisas, e depois... vamos achar outra mosca na nossa sopa!

6 comentários:

  1. Bom... eu sinceramente lamento não ser bissexual. Se bem que na versão masculina o relacionamento mais convencional com outros do mesmo sexo é uma merda, se é que me entendes...

    Mas, enfim, o Artur C. Clarke (aquele do roteiro de "2001, uma odisséia espacial", do Kubrick), num de seus livros fez um personagem dizer que pouco saudável é o cara ser totalmente homo ou totalmente hetero...

    A militância gay, em todo caso, costuma ver com maus olhos os bissexuais e mesmo os heterossexuais. Seriam todos enrustidos ou mal assumidos, o que me parece um evidente exagero.

    A preocupação com a forma do outro se divertir tem várias dimensões. Se bobear, pode-se ser mal visto por gostar da cerveja X em lugar da Y, ou por não beber, ou por beber. Então, o truque é não fazer nem deixar de fazer porque outros acham que devemos fazer ou deixar de fazer. Pois para agradar ou para contrariar acabamos escravos do desejo ou mesmo da picuinha alheia, pois o cara que nos parabeniza ou olha feio por isso ou aquilo pode gostar ou deixar de gostar, por sua vez, para obedecer ou contestar alguém.

    Em todo caso, tenho meus preconceitos ou conceitos. Por exemplo, não gosto nem de veado, nem de mulher perua, nem de homem machão, nem de mulher sapatão. Ou seja, aquele esforço para mostrar que é menina ou menino irrita-me e, pelo visto, não faço, pois duas namoradas achavam (antes de me namorar) que eu era veado (uma até achou que eu era vegetariano!), e outras duas achavam que eu "tinha-me escapado" de ser veado por pouco.

    E eu me esforçando para achar gostoso um homem e achando, quando muito, bonito... como acho também cachorros e carros bonitos... Talvez o extrato de drosóphila ajudasse, hehe... Não para "corrigir" as preferências de cada um, mas para variar, para flexibilizar etc.

    Imagine-se o cara, heterossexual, saindo de uma relação e tomando o tal estrato de drosóphila para dar um tempo nas mulheres, curtir uns amigos e, depois, quem sabe, variar de novo etc. Se bem que isso me parece que envolveria mais um medo de se relacionar com mulheres (ou com o sexo oposto) por um tempo do que um genuíno desejo de se relacionar com homens (ou com o próprio sexo)... Seria mais uma forma de se violentar por medo ou obediência - medo novamente, hehe...

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  2. Extrato ou estrato? Bom... o alegórico "...de drosóphila" só pode ser "extrato". Fui dormir após escrever o comentário anterior com a impressão de que havia escrito as duas formas e sabendo que só uma era pertinente. Penitencio-me antes que me penitenciarizem (ok, agora é provavelmente neologismo).

    Quanto aos estratos pertinentes... talvez sejam os de sapatonas, machões, machos, mulheres, peruas e veados... acabo de os tentar organizar dos mais preocupados em exacerbar estereótipos masculinos aos mais preocupados em exacerbar estereótipos femininos. O engraçado é que essa "escala" não tem relação necessária com a preferência sexual *objetal*, embora, claro, o machão tenda a preferir mulheres ou talvez até preferencialmente peruas (ou cachorras... ou outro estereótipo feminino exacerbado... inclusive travestis), nem que seja para compor sua imagem.

    Na adolescência, não muito certo de minha sexualidade (por prolongada falta - por culpa minha - de oportunidade de a testar, digamos...), desenvolvi certa homofobia contra veados, isso é, contra homossexuais caricatos. Acho que era medo de, se eu fosse homossexual, ter de ser "daquele jeito" tão estigmatizado e, enfim, caricatural.

    Hoje, já na "meia idade" dos 40 anos (aspas porque supor que essa seja a meia idade envolve certo otimismo...), sou em parte mais tranquilo com a veadagem; em parte mais crítico com a estereotipia em geral, o que tem outro tanto de intolerância e é, em parte, um beco sem saída, pois procurando estereótipos, há inclusive o da negação de qualquer estereótipo, o do meio termo, o da normalidade... que rapidamente desemboca na "normopatia", isso é, do padecimento de certo padrão considerado normal, não pela harmonia intrínseca, mas por adequação a um padrão de normalidade mais ou menos arbitrário.

    Voltando aos estereótipos sexuais ou "de gênero", minhas próprias obsessões levaram-me a muitas reflexões diletantes a respeito. Perguntava-me por que (com os diábos!) alguém, sendo homossexual, chamaria tanta atenção sobre si e sobre isso, geralmente tão mal visto.

    A primeira teoria é a do "anúncio". Sendo estatisticamente minoria, os homossexuais precisariam anunciar com mais força... algo como "oh... aqui! sou homem mas gosto de homem! tem mais alguém aí?"

    Mais recentemente, matutei que para o cara se assumir, tem de fazer um esforço para se afirmar. Ser heterossexual tem uma cartilha tradicional... jogar futebol, brincar de boneca... Enfim, seguir sem necessidade de muito esforço um estereótipo de masculinidade ou de feminilidade. Bom, digo "sem muito esforço" porque ao menos eu nunca fui muito esforçado nesse sentido.

    Aliás, lembro de um texto (sei lá de quem) que li quando fazia, no século passado, minha licenciatura em Filosofia, numa disciplina de psicologia da educação, onde se abordava a psicologia do desenvolvimento. Comentava que se uma menina assumia uma identidade mais masculina - traduzindo em termos bem mais diretos o que li -, isso era um sinal benigno, já que a identidade de menino traz mesmo muitas vantagens e seria "normal" uma menina preferir a simplicidade, liberdade e "maior diversão" das atividades mais típicas de meninos. Já se um menino era meio afeminado isso era mais grave, pois, afinal, envolvia sacrifícios que só um conflito muito grande justificariam.

    Acho que o autor era uma autora que se não invejava o pênis, invejava a masculinidade... o que nada ou pouco tem a ver com gostar de transar só ou preferencialmente com homens ou mulheres. Eu, em tempo, nunca fui de jogar bola, usei cabelo comprido etc... mas realmente acho que ser homem é muito mais prático e confortável. Afinal, é muito mais fácil arrumar o chuveiro uma vez por ano, palitar os dentes ao menos em público, coçar o saco etc... do que ter de estar sempre bonita (algo impossível para algumas...), maquiada, com os seios levantados, com pernas e sovacos depilados, unhas pintadas, cabelo arrumado e pintado, de salto alto... Homem fica até mais convincente no estereótipo se não se barbear todo dia, se o cabelo for simples ou francamente descuidado etc.

    Ah... só uma vez as "frescuras" dos homens supostamente heterossexuais me oprimiram. Foi no exército. Aquilo de engraxar os coturnos, manter as fivelas de latão dos cintos brilhando e a barba super raspada eu chamava de "fitinhas e bordados de homem", na época. Conclusão, minha identidade sexual é a de preguiçoso... Se bem que me barbeio (e ultimamente tenho raspado não só a barba mas também os cabelos... mas só isso!) e lustro os sapatos quase todos os dias, eventualmente dando uma folga no domingo...

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  3. Régis, morra de inveja, se quiseres, mas consigo ser bissexual sem o menor trabalho, nem medo de ser atacada por qualquer dos tipos pela minha suposta indecisão. Acho até meio libertador porque posso gostar de gente, ao invés de gostar só de um determinado tipo de gente. Mas não acredito que deva ser regra porque é muito pessoal. Tem uns que gostam só de homens altos, mulheres magras, mulheres peitudas, bundudas, homens sarados, carecas, de aparência frágil, másculos, travestis, veados sarados, veados frágeis, mulher caminhoneira, lady, enfim... cada um com seu cada qual.
    Se há um privilegio da nossa geração em sua fase adulta é poder sustentar sua diversidade. Hoje é até bonito brigar por diversidade. Outros tempos´estaríamos presos, seríamos deserdados, expulsos de casa. Não que isto não ocorra ainda, afinal a diversidade deve admitir (não que tenha que acatar)até o preconceito: que é um tipo de pensamento diverso.
    O conhecimento, no fim das contas, não faz as coisas desaparecerem, apenas nos faz tratarmos de outra forma.
    Quanto a autor(a) que citastes, considero-o um reducionista para creditar apenas ao gênero as facilidades ou dificuldades de uma vida e a medida de coragem das pessoas diante disto. Mas, dissestes que foi no século passado; queiram os deuses que ele(a) tenha aperfeiçoado seu raciocínio.
    Só pra terminar: lustrar os sapatos de segunda à sábado, me parece meio veadagem... quem sabe um dia tu chega lá.

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  4. Meu Deus, tu aí te recriminando pelo extrato/estrato e agora que eu reli meu comentário vi que parecia o texto de um bêbado. Assassinei as concordâncias.

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  5. Hum... é coisa do início do século passado (pior que simplesmente do século passado). Mas não é muito reducionsta, apenas é um pensamento de uma época bem menos flexível do que a nossa, onde as identidades de gênero eram muito mais rígidas.

    Como costumo dizer, ser gay, bi ou hetero não é para quem quer, é para quem pode. Não adianta esforço para quem não pode e não precisa de esforço para quem é.

    Eu, quando estou com uma loura alta, passo a cuidar as morenas baixinhas e vice-versa. O desejo é principalmente pelo que se não tem. Regra cruel para com a monogamia, hehe... Podia ser pior, se eu fosse bissexual.

    Woody Allen diz que ser bissexual dobra as chances numa sexta-feira à noite. Eu diria que dobra as ambivalências, hehe... Mas quem pode dizer és tu. Penso que não é nenhum drama. Assim como consigo ser monogâmico querendo, a princípio, todas as mulheres bonitas, gostosas, passáveis ou que estão passando (eu e o Vinícius), penso que também o conseguiria se meu rol de desejáveis fosse mais amplo.

    Um pouco de veadagem masculina, no entanto, seduzia mais quando se pressupunham as mulheres como antas gostosas, que serviam só para ter filhos e cuidar da casa. Eu acho as mulheres modernas muito interessantes, para dizer o mínimo.

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  6. Régis,
    Via de regra compro teus argumentos. Neste caso, concordo muito com o fato de que o desejo é pelo que não se tem e acrescento: a duração do desejo é proporcial à convivência com o objeto de desejo. Para não ser perversa, já que sou casada há 8 anos, digo que este é o motivo pelo qual as pessoas trocam de carro, por exemplo.

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