terça-feira, 3 de novembro de 2009

Porque tudo acaba em Neruda



Então... quando a Paula viaja fico melosa, nostálgica, passo fome (porque a preguiça é maior que a fome), bebo mais do que deveria, durmo tarde e tenho ataques de hiperatividade. Hoje, ainda nos dois primeiros sintomas, acabei recorrendo ao Neruda. Primeiro porque, assim como ter nossa música, foi nosso poeta de início ((muito mais meu do que dela que nem é muito chegada a esse tipo literário)). Mas, em segundo lugar, e provavelmente a razão mais forte, porque penso que não houve poeta que falou mais no amor. Neruda fala tanto que ama, que amou, que amava, que amará e o quanto este sentimento é importante e forte que cabe, facilmente, em qualquer declaração de amor. Neruda é, pois, um poeta ideal para início de relacionamento. Descubra-o no início, usufrua durante e use-o, descaradamente, toda vez que quiser declarar teu amor. Assim, desse jeito:

((Teca))


"É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada.
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que eu preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nossos lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro."

Pablo Neruda



2 comentários:

  1. Se ou quando eu organizar e publicar meus poemas a respeito, esse tal de Neruda vai-se catar. Ok, o cara é bom, mas foi tão citado lá pelos anos 70 e 80 que os elogios a ele mais do que seus poemas me cansaram, hehe. Engraçado como Fernando Pessoa nunca tem esse efeito sobre mim.

    Aliás, como minha principal relação amorosa ou odiosa é comigo, meus poetas preferidos são, nessa ordem, eu, Fernando Pessoa como Álvaro de Campos e como ele mesmo.

    Meu poema "de amor" mais recente é esse aqui, que publiquei dia 3 desse mês no blog da filha de minha penúltima namorada, com quem fiquei quatro anos e meio... um pouco mais (ai, ai... 4 anos e 8 meses):

    Não me precisas dizer
    Eu sei que me amas
    e me desejas
    e me admiro
    tão lindo em teus olhos

    Teu olhar
    teu suor
    tua lubrificação
    e poesia são eloqüentes

    Temo apenas a tua dor
    tua carência
    teu desespero
    tua decepção
    e tua insistência

    Tu me amas demais
    mais do que a ti mesma
    e isso é ruim

    Assim hoje me amas
    assim amanhã me odiarás
    e assim, depois de amanhã
    novamente amarás
    cheia de culpas e ódios
    no turbilhão que nos
    despedaçará

    Ama-me menos
    ama-te mais
    sempre mais que a mim

    Ama-te primeiro
    ama-te inteira
    para que nos possamos
    somar
    mútuos
    no teu mar

    Eu me amo tanto
    que também te amo
    para meu próprio bem
    que te faz tão bem

    Ah... o endereço do blog:

    http://marjoriebier.wordpress.com/

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  2. Acabo de postar outro poema, no mesmo blog... e que vagamente dá para chamar de poema de amor.

    Foi relativo ao poema com que a autora do blog fez propaganda do livro "Serenata para uma janela fechada" do pai dela, Augusto Bier.

    O poema de Augusto Bier que me inspirou:

    Meteorologia

    Calor imenso
    Se anuncia
    Quando tua lembrança
    Se põe a abrir janelas

    Voam cortinas em ondas
    Que me inundam
    De frios na barriga.

    Meu poema algo provocado pelo de Bier:

    Tempestade! chuva
    vento e raios
    janela fechada
    sem eletricidade

    nosso humano calor
    sem refrigeração
    sem ventilador
    sem televisão
    sem internete
    exaspera-nos

    de tão suados
    quase escorre-
    gamos ou fugimos
    um do outro

    mas nada melhor nos ocorre
    e até que nos acabamos fa-
    zendo bem

    Eu, pelo menos
    consigo até dormir!

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