Não é uma novidade, afinal a publicação é de 2002. Mas em Reparação, Ian McEwan consegue mostrar lindamente como são frágeis nossas convicções. Uma mesma história sob a ótica de diferentes personagens demonstra a razão de cada um deles. E como questionar seus motivos?Uma vez, ainda na faculdade, um professor dificílimo ((alguns diziam que esperariam ele morrer pra fazer aquela cadeira)) me deu uma ótima nota por uma prova onde as respostas não estavam rigorosamente corretas. Fiquei super lisonjeada com a nota e com o fato de estar entre os raros que passaram direto na cadeira, mas não sabia o motivo de tanta nota para meios acertos. O professor explicou em aula - daquele jeito dele que somente dizia sem jamais elogiar.
Ele falou que prezava o erro com convicção, que importava ver a construção do argumento de tal resposta e o convencimento deste. Mesmo que ele soubesse que haveria outra interpretação mais adequada, a força de um argumento bem construído era por ele valorado.
Muito bem. McEwan, com seu texto, me remeteu a este episódio e me fez pensar que de nada vale o argumento ser convicto se não carregar consigo, também, flexibilidade. Errar com convicção pode parecer louvável, até poético. Mas hoje em dia, penso que posso me tornar melhorar avaliando a flexibilidade dos meus motivos e como eles sobrevivem ante a convicção dos motivos alheios.
Fica a dica do livro, que é meio travado de início, mas fica ótimo logo em seguida. E, para aqueles que tem preguiça de ler ou são ansiosos e preferem matar a charada em apenas duas horas, tem o filme: Desejo e Reparação, com direção de Joe Wrigth, é a adaptação da obra.

Como a vida não trata tanto de erros e acertos, mas de interesses e consequências, há erros e acertos impossíveis, escolhas ou inclinações que escapam a essa valoração.
ResponderExcluirSe academicamente digo que pau é pedra, estou errado, salvo caso de fossilização; mas se o faço politica ou romanticamente, não é uma opinião sobre a realidade do pau maior ou menor, é uma proposta ou uma reivindicação, absolutamente legítima, por mais vencida ou impossível.
Como o advogado criminal que se defende, tenho no amor e na política, como representado, um idiota, cujas idiossincrasias cobrem e assolam (isso é, de cima a baixo) meus atos. Sou parcial pois sou precisamente isso, parte.
E não sou técnico, pois a vida é muito curta em relação às artes. Vou até o fim como aprendiz, inábil e mesmo assim responsável. Não sei o que fazer, nem o que quero, mas tenho a ilusão (e todas as consequências) de decidir.
Babo pavlovianamente à passagem da morena e acredito que é minha opção sexual. Bebo dromedariamente a loura gelada (tendo gostado só dos primeiros 5 goles) e resmungo não ter compromisso, que é meu dinheiro e ninguém tem nada com isso.
Sobra juntar os cacos e dizer que foi de propósito, que foi do meu jeito e não me arrependo, mesmo que isso seja uma mentira mal contada mesmo para mim. Pois sou irreversivel e imprevisivelmente eu mesmo. É inútil, mas desejo-me sorte.
Não tenhas pena de mim. A tua encrenca é do mesmo tipo. Nada de solidariedade. Nessa correnteza, solidários apenas nos afogaremos abraçados. Apenas nada, sem esquecer que a margem segura é sempre a do outro lado.
Finalmente, não desanimes. Não há erros nem acertos, salvo estilísticos. Não importa o que fizeste, deixaste de fazer, sofreste ou deixaste de sofrer. O que importa é como te importas, exportas; como te retrospectivamente concebes e como prospectivamente propões. Faz de tal modo que ao menos tu te queiras comprar.
Aproveitei e peguei meus comentários aqui para colocar no meu próprio blog, feito principalmente de colaborações no teu blog e no de Marjorie Bier:
ResponderExcluirhttp://racoimbra.wordpress.com/2010/01/08/retrospectiva-cintia-scherer2009-e-inicio201/
Hehe... pois é, errei o nome do teu blog lá no meu. Mas já corrigi!
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