segunda-feira, 6 de julho de 2009

A menina má e a ética do dever

Tá certo. Por vezes queremos bagunçar a vida, chutar o balde, esvaziar a cabeça e encher os canecos. Até acho que a maioria das pessoas faz isso com alguma freqüência porque agora “desestressar” franqueia um monte de comportamentos reprimidos. É a desculpa dos adultos pra poder despiroquiar um pouco. Mas ainda assim, há um limite estabelecido. Você pode ser um pouco má – é até charmoso – você não pode é ser “marvada”.
Então, o que limita nossas ações? Oras, o de sempre: a necessidade de viver em grupo e, eventualmente, depender de outras pessoas, afetiva ou materialmente. A gente acaba dependendo da avaliação de outras pessoas, desde as que não gostamos até as que queremos, ardentemente, que nos admirem e amem. É por isso que não rompemos com o imperativo categórico e seguimos tentando alcançar máximas aceitáveis que não façam as pessoas nos banir do convívio social.
Não precisamos falar em Kant, afinal, nossos pais reproduziam exemplos melhor que ele: “Nunca se sabe o dia de amanhã!”, ou “Você gostaria que fizessem isto contigo?”, ou ainda, “Deixa, quando você tiver filhos, vai ver do que eu tô falando!”.
Depois, quando crescemos um pouco mais, os exemplos abstraem-se, mas permanecem: “Tudo o que você faz, volta pra você!”, “Bem feito! Cuspiu pra cima, viu só?”.
E de repente, a menina má deixa de ser tão má assim.
Bom, é uma série de repetições que nos coloca na linha e nos enche de culpa. Mas também é isso que faz com que tu pagues o dinheiro que me pediu emprestado ou que eu tenha motivos pra não te emprestar mais; ou que faz com que eu vá ao teu aniversário, mesmo quando é final de campeonato, ou que te impele a me oferecer um pedaço do sanduíche que tu tá amando comer sozinha.
Mas, se por acaso, um dia, alguém de nós sair um pouco do roteiro, tudo bem. Isto é pimenta, dá um pouco de tempero à vida. Aí vamos reclamar mutuamente, nos chamaremos de egoístas, loucas, exporemos nossos motivos, ficarei emburrada por mais tempo que tu porque sou má. Mas voltaremos às boas, afinal, sou apenas um pouco má.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um bom amor


Já tive coisas de todas as medidas na minha vida. Não que tenha vivido muito ou quase tudo (isso nem é possível), mas procuro viver intensamente. Então, como ia dizendo, já experimentei diferentes medidas de vários sentimentos, desde o muitíssimo ruim até o maravilhoso. Também experimentei diferentes durações de um mesmo sentimento: de algumas horas a alguns anos. Experimentei coisas até que nem lembro, que eu mesma joguei fora, deliberadamente.
Oito anos depois de ter experimentado te colocar na minha vida eu consigo ver que esse amor é alguma coisa que inunda todos os cantos dela. Não há escapatória: onde eu olho, enxergo ele. E gosto. É como o filme e o livro preferido que eu já conheço, mas amo tanto que não canso de revisitá-los.
É um amor que não cansa, não desmerece, não judia, não faz mal, não compara, não atrapalha, não some e não cessa. É um amor que se reinventa, que anda junto, que entende, que concede, que olha pra longe.
Tu és o meu kit de química que nunca tive!!! Tu és a experiência que me orgulho todo dia de ter feito. Mudou minha vida de um jeito bom. Tu és meu amor do bem porque tudo em ti faz bem pra mim. Porque eu reconheço que no teu dia, em todos eles, nas coisas que tu faz, tu tá pensando em me fazer feliz. E não tem nada que me comova mais do que ver que tu gosta de fazer “por mim”. Amor com dedicação, sem obrigação é algo raro. Nós temos.
Então, correndo o risco de ficar super, mega, blaster bregueira ((não blogueira)), vou parar... já estou quase recorrendo às canções.
Eu te amo pra oito, pra mais oito, pra além do tempo.