
Então... quando a Paula viaja fico melosa, nostálgica, passo fome (porque a preguiça é maior que a fome), bebo mais do que deveria, durmo tarde e tenho ataques de hiperatividade. Hoje, ainda nos dois primeiros sintomas, acabei recorrendo ao Neruda. Primeiro porque, assim como ter nossa música, foi nosso poeta de início ((muito mais meu do que dela que nem é muito chegada a esse tipo literário)). Mas, em segundo lugar, e provavelmente a razão mais forte, porque penso que não houve poeta que falou mais no amor. Neruda fala tanto que ama, que amou, que amava, que amará e o quanto este sentimento é importante e forte que cabe, facilmente, em qualquer declaração de amor. Neruda é, pois, um poeta ideal para início de relacionamento. Descubra-o no início, usufrua durante e use-o, descaradamente, toda vez que quiser declarar teu amor. Assim, desse jeito:
((Teca))
"É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada.
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que eu preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nossos lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro."
Pablo Neruda

Se ou quando eu organizar e publicar meus poemas a respeito, esse tal de Neruda vai-se catar. Ok, o cara é bom, mas foi tão citado lá pelos anos 70 e 80 que os elogios a ele mais do que seus poemas me cansaram, hehe. Engraçado como Fernando Pessoa nunca tem esse efeito sobre mim.
ResponderExcluirAliás, como minha principal relação amorosa ou odiosa é comigo, meus poetas preferidos são, nessa ordem, eu, Fernando Pessoa como Álvaro de Campos e como ele mesmo.
Meu poema "de amor" mais recente é esse aqui, que publiquei dia 3 desse mês no blog da filha de minha penúltima namorada, com quem fiquei quatro anos e meio... um pouco mais (ai, ai... 4 anos e 8 meses):
Não me precisas dizer
Eu sei que me amas
e me desejas
e me admiro
tão lindo em teus olhos
Teu olhar
teu suor
tua lubrificação
e poesia são eloqüentes
Temo apenas a tua dor
tua carência
teu desespero
tua decepção
e tua insistência
Tu me amas demais
mais do que a ti mesma
e isso é ruim
Assim hoje me amas
assim amanhã me odiarás
e assim, depois de amanhã
novamente amarás
cheia de culpas e ódios
no turbilhão que nos
despedaçará
Ama-me menos
ama-te mais
sempre mais que a mim
Ama-te primeiro
ama-te inteira
para que nos possamos
somar
mútuos
no teu mar
Eu me amo tanto
que também te amo
para meu próprio bem
que te faz tão bem
Ah... o endereço do blog:
http://marjoriebier.wordpress.com/
Acabo de postar outro poema, no mesmo blog... e que vagamente dá para chamar de poema de amor.
ResponderExcluirFoi relativo ao poema com que a autora do blog fez propaganda do livro "Serenata para uma janela fechada" do pai dela, Augusto Bier.
O poema de Augusto Bier que me inspirou:
Meteorologia
Calor imenso
Se anuncia
Quando tua lembrança
Se põe a abrir janelas
Voam cortinas em ondas
Que me inundam
De frios na barriga.
Meu poema algo provocado pelo de Bier:
Tempestade! chuva
vento e raios
janela fechada
sem eletricidade
nosso humano calor
sem refrigeração
sem ventilador
sem televisão
sem internete
exaspera-nos
de tão suados
quase escorre-
gamos ou fugimos
um do outro
mas nada melhor nos ocorre
e até que nos acabamos fa-
zendo bem
Eu, pelo menos
consigo até dormir!